Mensagem do Ouvidor

Sejam bem-vindos ao nosso site da Ouvidoria dos Fenais da Vera Cruz!

Esta Ouvidoria, recentemente congratulada com a coroa de centenária, lançou à três anos atrás este site por forma a chegar aos vários cantos dos mundos. Sim, mundos, atendendo que o meio cibernauta também é um mundo de trocas de experiências, informações e conhecimentos.

A nossa Ouvidoria está situada na zona oriental do concelho da Ribeira Grande na costa norte da ilha de São Miguel. Aromatizada pelos chás do Porto Formoso e da Gorreana, refrescada pela Lagoa de São Brás e pela Praia dos Moinhos nos convidam aos fim da tarde a entrar num deslumbramento do Miradouro do Ti Domingos na Lomba da Maia. Convidativa pela natureza, própria de toda a ilha, nos brinda com os diversos caminhos pedestres, o Museu do Tabaco da Maia, que nos oferecem um enorme convite a estar e passar pelas diferentes Igrejas distribuídas pelas terras desta modesta Ouvidoria onde se destaca a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, antigo convento que marcou a passagem das comunidades religiosas por esta zona da ilha.

É composta pela paróquias de Nossa Senhora da Graça, Porto Formoso; São Brás; Espírito Santo, Maia da qual faz parte o Curato da Lombinha da Maia que tem a igreja de Nossa Senhora das Dores; a paróquia de Nossa Senhora do Rosário, Lomba da Maia; e a dos Santos Reis Magos nos Fenais da Ajuda da qual fazem parte dois curatos: o Curato da Ribeira Funda com a igreja de Nossa Senhora da Aflição e o Curato da Lomba de São Pedro com a igreja de São Pedro.

Tudo, na nossa vida, pode ser semeado, regado e colhido com alegria quando se coloca o mesmo sentimento em todas as etapas anteriores. A vida também pode ser semeada, regada e colhida com alegria. Isto quando eu sou o primeiro a semear, regar com esta alegria.

O Santo Padre nos fala e nos transmite muito, não só pela sua expressão sorridente, assim como nos seus escritos o sentimento de alegria: “A Alegria do Evangelho” (Evangelii Gaudium); A Alegria do Amor” (Amoris Laetitia); “Luz da Fé” (Lumen Fidei); “Louvado Sejas” (Laudato Si), duas Exortações Apostólicas e duas Encíclicas, respetivamente que nos revelam sentimentos de Alegria, Louvor e Luz. São pois com estes sentimentos que, principalmente, nós cristãos, nos devemos revestir para viver com todo o sabor de discípulos do Ressuscitado.

Um novo Ano Pastoral baseado nas Orientações Diocesanas 2017/2018 (Partilha, Vem e Segue-Me – Mt 19,21) nos desafia a colocarmos o nosso olhar no horizonte Social, Familiar e Juvenil. Não podemos viver com os olhos colocados numa realidade utópico do “está tudo bem” quando na verdade, não está.

São preocupantes as crises sociais porque passamos porque o social influencia o familiar. É sobretudo nas crises que somos obrigados a crescer, a amadurecer e a evoluir. É assim que a Psicologia nos explica na evolução do desenvolvimento humano. Para crescer com uma realidade verdadeira será sempre necessário não disfarçar a vivencia do dia a dia de cada um de nós.

A falta de emprego levou muitas famílias a estados de sobrevivência inadmissíveis numa sociedade do século XXI. Há apostas governamentais nos trabalhos de baixa escolaridade que leva a um empobrecimento global da economia nacional em vez de se apostar na excelência de formação, empregabilidade e da economia. Faz-se tudo por baixo.

As famílias sentem em si o flagelo, não só do desemprego, como também, da toxicodependência, da violência doméstica (entre casais, filhos e pais…) a sociedade começa a sentir a violência descontrolada por falta de leis que eduquem desde o berço familiar. Hoje arranjam-se desculpas para o que é indesculpável. Vivem-se sentimentos de uma sociedade do “descartável”. Se preciso de ti tens lugar na minha vida, se és um estorvo então descarto-te. Isto é semear sentimentos plásticos num coração de carne.

Com tudo isto a nossa juventude se sente desorientada num mundo cheio de confusões como o nosso. É precisamente nesta juventude que temos a obrigação, quanto educadores, pedagogos da fé, de semear nas suas vidas a realidade da esperança, do amor e da alegria com que Deus nos chama a viver cada dia em plena conexão com Ele.

Enquanto o mundo oferece o “descartável”, Deus oferece novas oportunidade de vida, enquanto o mundo oferece violência, Deus oferece um caminho de conversão onde a misericórdia nos une como irmãos, enquanto o mundo oferece pobreza, Deus na sua pobreza nos oferece a Sua maior Riqueza que é o Céu.

Afinal este mundo cheio de vazios e de nadas está preenchido por cada um de nós que tem o direito de contrariar tudo aquilo que os que vivem afastados de Deus nos querem “programar” de modo a entrarmos nos seus jogos e artimanhas onde cada um de nós se torna uma “marioneta”.

Marquemos a diferença com que Deus marcou o nosso coração com o Seu Espírito Santo!

O Ouvidor

Padre Carlos Simas